Eram as Barbies, as chuquinhas, a bebezinha.
Era o pique-pega, o pique-esconde, o pique-altas. Era fazer bolo sem açúcar. Mas era um bolo de verdade (que orgulho!). Era pegar os guarda-chuvas e fazer uma cabaninha sobre a cama. Eram as aulas frias de natação e a vontade gigante de nadar em piscina grande.
Era o clube cheio de gente que nem se conhecia. Era a praia cheia de gente que nunca mais se via.
Era o chiclete ping-pong que se colecionava as figurinhas. Era a bala de côco, o chup-chup de cachorro.
Era fazer piscina de barro e batizados de bonecas. Era banana com Nescau. Era bono de doce-de-leite.
Não tinha refrigerante, nem hambúrguer, nem cachorro-quente. Mas tinha um bolo que era uma delícia. E tinha suco de fruta. E na merenda era maçã.
E tinha os passeios de domingo. Sem shopping. Mas tinha aquele parquinho... aquele parquinho. Tinha bola, tinha areia, tinha árvore.
Tinha amigos. Tinha a escola. Ah! Tinha a escola sim. Mas não era tão ruim. Tinha a hora do recreio. Tinha a educação física e tinha a aula de artes. Tinha a professora brava, o amiguinho apaixonado e a melhor amiga. Que nunca mais se viu. Mas ela existia.
Não tinha internet, não tinha DVD, nem tinha videogame. E quem precisava? Tinha Chaves. E Smurfs e Snoopy. E revistinhas do Tio Patinhas e da Mônica.
E tinha livros que contavam aquelas histórias mágicas. Que diziam que todo mundo podia ser feliz. Todo mundo.
Feliz Dia das Crianças.
Pras crianças pequenas, pras crianças grandes e pras crianças escondidas nos nossos corações.

