Vou começar com um clichê de senso comum: somos sozinhos.
As vezes, inclusive, solitários.
Quanto mais cedo nos damos conta dessa condição, mais cedo aprendemos a viver com plenitude, mais cedo paramos de sofrer por inutilidades e mais cedo começamos a nossa jornada.
Ninguém sente nossas dores por nós.
Nem nossos medos por nós.
Nem sonha nossos sonhos por nós.
Ninguém sabe o quanto cada palavra ouvida dói no nosso coração nem quanto a que não é dita envenena nossos pensamentos.
Ninguém vê com nossos olhos, nem ouve com nossos ouvidos. Ninguém sente com nossa emoção.
Tudo que vemos, ouvimos, comemos, sentimos, andamos, choramos, sabemos. Ninguém mais sabe.
E há quem ache que isso é triste, há quem diga que é o que nos faz únicos.
Acredito que é o que nos faz fortes.
Sozinhos sentimos. Sozinhos sofremos. Sozinhos vivemos. Ainda que cercados de pessoas.
Sozinhos amamos.
Sozinhos, passamos a vida toda procurando companhia, tentando preencher um espaço que não cabe ninguém, porque é só nosso.
Quando paramos de procurar nos outros, encontramos em nós mesmos, esse espelho que nos reflete.
Só assim conseguimos ver o quanto somos completos.
E ser completo, ser inteiro, é ser um.
É ser só.