06/10/2010

Pela proibição do uso aleatório do "eu te amo"



Se tem uma coisa que me irrita, é gente que sai por aí anunciando seus sentimentos num megafone pra ser ouvido num raio de 15 km. Não precisa. Eu não quero saber, o caixa da padaria e a moça do correio também não. Principalmente quando você de fato não sente. Larga mão de ser drama queen e pára com isso.
Pior do que anunciar, é banalizar. Porque tudo bem, se você tá morrendo de amores e acha que nada mais fará sentido se você não anunciar isso numa faixa que vai ser puxada por um avião furreca na praia, VAI FUNDO, amigão. Mas por favor, tenha certeza do que tá sentindo, por que ninguém aguenta aquele povo que se conhece faz 4 dias e já se ama profundamente.
Parece que quanto mais a pessoa repete, menos é verdade. “Eu te amo” quarenta e cinco vezes por dia. É bem provável que a pessoa tenha ouvido na primeira vez, então as outras quarenta e quatro, sinto te informar, foram gasto de saliva. É coisa de gente insegura. “eu te amo, tá?” “não esquece que eu te amo” “já disse que eu te amo hoje?”. Já, pelo amor de Deus, agora pare. Deixa de ser inseguro e vira o disco.
Adolescente que ama todo mundo da sala com o maior amor do universo universal. Vamos ver se quando o colégio acabar, você lembra o nome de 50% deles. Porque eu admito, lembro não, e eu nem sou tão velha assim. É claro que tem gente que você ama, mas selecione essas pessoas. Nem tem graça amar todo mundo, não detestar ninguém no colégio.
O pior de tudo, é que muitas das pessoas que te dizem “eu te amo”, são as últimas a estarem ao seu lado e segurar a barra no dia que a coisa ficar preta. Como disse uma paciente em House: “Eu tenho muitos amigos, mas nenhum que queira vir até aqui e segurar a minha mão enquanto eu morro”.
Guarde os “eu te amo” pra quem realmente merece, em momentos que sejam realmente importantes, que façam a diferença. Porque ao contrário das mentiras que viram verdades ao serem repetidas demais, “eu te amo” a cada cinco minutos faz com que os verdadeiros passem despercebidos.




Texto retirado do blog fator46